Adulteração em Mateus 28:19

Esta é a segunda versão, e sofrerá constantes atualizações.

O Cardeal Ratzinger, em seu Livro “Introdução ao Cristianismo”, fez algumas declarações que se espalharam pela Internet de forma avassaladora. Essas declarações revelam nas entrelinhas algo interessante sobre a forma batismal em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mesmo estando o Cardeal fazendo referência ao Credo Apostólico, que de Apostólico nada tem, pois ele é bem explicito quando afirma onde e quando foi elaborado esse Credo.

Toda essa discussão gira em torno da Trindade, crida e aceita pela maioria cristã hoje, sejam eles católicos ou protestantes e, com certeza, podemos encontrar milhões que creem na trindade até fora das Igrejas, dentro de outras religiões, entre incrédulos e até pessoas afastadas da Igreja, que temem blasfemar contra aquela doutrina que entendem ser um mistério divino, um enigma do outro mundo, o sagrado segredo que pode exterminar quem duvidar de sua existência ontológica.

Depois da eliminação de 1 João 5:7-8 das Escrituras, toda responsabilidade para provar a doutrina trinitariana está agora sobre Mateus 28:19, que diz: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que lhes tenho ordenado, e eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Uma pergunta apenas deve ser feita aqui: Para quem Mateus escreveu seu Evangelho? Todos sabem que ele escreveu para os judeus. No entanto, a sugestão da existência de uma trindade não se coaduna com a crença do público alvo do livro. O objetivo de Mateus era alcançar os judeus convencendo-os de que Jesus Cristo era o Messias descrito pelos profetas do Antigo Testamento. Desta forma, causa-nos no mínimo alguma estranheza a menção de uma fórmula batismal que sugira a existência de uma trindade jamais aceita pelos judeus. Isto porque a crença dos judeus se baseia totalmente no Velho Testamento, onde não há qualquer sugestão da existência de uma trindade. Baseados no Velho Testamento, os judeus aceitam um único Deus e a proposta de uma trindade soaria absurda. Ademais, o objetivo de Mateus não era convencê-los da existência de uma trindade, mas mostrar Jesus como o Messias.

Isso lhe parece estranho? Não se preocupe com suas dúvidas; apenas continue a leitura para descobrir um dos maiores embustes inseridos na Palavra de Deus depois da interpretação equivocada de João 1:1-3.

O texto do Cardeal Ratzinger diz:

Talvez seja útil fornecer alguns dados sobre a origem e estrutura do símbolo, que contribuirão para esclarecer o “por quê” do nosso proceder. A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” 2. A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal.

Provavelmente ainda no correr do século II, mas sobretudo no século III, a fórmula tríplice, tão simples, e reproduzindo apenas o texto de Mt 28, sofreu um desdobramento em sua parte média, ou seja, na pergunta sobre Cristo. Por tratar-se do que é tipicamente cristão, aproveitou-se a ocasião para fornecer um resumo a respeito da importância de Cristo para o cristão, dentro dos limites daquela pergunta. Igualmente a terceira pergunta, a profissão da fé no Espírito Santo, foi explicitada e desenvolvida como declaração da fé a respeito do presente e do futuro do cristão. No século IV estamos diante de um texto contínuo, libertado do esquema de perguntas e respostas” (Introdução ao Cristiansmo, pág. 31).

O que está explícito no texto é que o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vai ficar provado, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original, mas foi uma adulteração inserida em um manuscrito supostamente de Mateus que circulava entre o terceiro e quarto século.

Mateus 28:19 é realmente um texto muito suspeito. Uma das razões pelas quais esse é o caso é que há um intervalo muito grande desde o momento em que Mateus escreveu seu Evangelho e os primeiros manuscritos gregos que temos contendo as palavras encontradas em Mateus 28:19 – existem quase trezentos anos entre os dois.

Infelizmente, a “Igreja” durante esse período também estava rapidamente se transformando em escuridão. O que viria a ser a Igreja Católica desenvolveu grande parte de sua teologia durante esse período e foi obstinadamente zelosa na aplicação dessas doutrinas. Se você ousasse desafiá-los, seria rotulado de herege e poderia enfrentar evasão, censura e até morte. Ter apenas manuscritos datados dessa época (séculos III e IV – durante os quais a Igreja Católica estava surgindo com suas crenças como autoridade das Escrituras) era um problema real e muito grande.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária” (Introdução ao Cristianismo, pág. 160).

Ratzinger fez uma exegese em cima de um texto falsificado. Ele está sendo enganado, como estão sendo todos os católicos. Ele é católico, e como tal defende também outras mentiras, como o purgatório, a assunção de Maria e o pontificado de Pedro em Roma.

Os textos do Cardeal serão examinados com mais detalhes no decorrer desse artigo.

O Batismo

A Bíblia afirma claramente que somos batizados em Jesus Cristo (não no Pai ou no Espírito Santo). O Espírito vem como dom quando o fiel é batizado em Cristo (Atos Atos 2:38; 19: 1-6). Além disso Romanos 6: 3,4, diz: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

É sepultado com Cristo no batismo, e não com o Pai e o Espírito Santo. O símbolo do batismo é a morte de Cristo. Esse é o ponto principal.

O novo Cristão, ao ser submergido totalmente pelas águas, está sepultando a velha criatura junto com todos os seus pecados: “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12). Portanto, não é lícito batizar em nome do Pai. Ele não é parte da velha criatura. Além disso, ele não morre – veremos isso com mais detalhes adiante.

Os verdadeiros Pais da Igreja

O que precisamos considerar de mais importante na discussão sobre Mateus 28:19 é que os Pais da Igreja são os Apóstolos originais. Portanto, nós devemos ter como fidedignos seus escritos e não os escritos daqueles considerados pais que apareceram pós século primeiro, pois muitos deles não passam de lobos devoradores:

Eu sei que DEPOIS da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29).

Depois desses tantos chamados Pais da Igreja se manifestarem foi que a própria Igreja entrou em confusão. Acreditar em todos eles e usar seus escritos como prova de autenticidade doutrinária é muito perigoso. Na verdade, a doutrina deve ser obtida somente da pura Palavra de Deus e não de outras fontes duvidosas. Esses autoproclamados “pais” viveram em uma era de heresia desenfreada. O testemunho de alguns deles pode ser valioso apenas porque eles fornecem uma verificação incidental e independente dos textos das Escrituras muito mais antigos do que nossas cópias completas atuais.

No entanto, ignorando o contexto das Escrituras, muitos tem como preciosos os escritos de alguns desses chamados pais quando se levantam em defesa do batismo trinitariano. Podemos encontrar pelo menos uma dúzia de citações dos pais patrísticos “autenticando” o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” antes do estabelecimento oficial da trindade – as discussões tiveram início com o Concílio de Niceia, tendo a aceitação do dogma sido concluído mais tarde. Há um ponto importante a ser lembrado aqui: a trindade, apesar de existir na crença eclesiástica e da Igreja, não foi codificada até o ano de 381 (o Concílio de Niceia em 325 d.C. simplesmente decidiu que Jesus era Deus enquanto deixava o Espírito Santo fora da equação).

Também é necessário dizer que o cristianismo do século IV era uma bagunça organizacional, razão pela qual o século estava repleto de controvérsias e conselhos. E no meio dessa desordem abundante podia-se encontrar documentos considerados fidedignos, que foram atestados e escritos por pais de renome já falecidos, como Tertuliano, Justino Mártir, Origenes e Cipriano de Cartago que viveram entre fins do primeiro e segundo séculos, e, acrescentando os vivos por volta do quarto século, haviam Jerônimo e Agostinho. Todos eles deixaram documentado que o batismo era em “nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Não vou considerar aqui qual deles teve seus escritos adulterados, embora tenhamos certeza de que isso ocorreu. É relativamente fácil identificar uma adulteração trinitariana feita no século 16 (exemplo I João 5:7), mas o mesmo não pode se afirmar com relação a adulterações mais antigas, principalmente as adulterações anteriores ao quarto século.

No entanto, é preciso entender que a corrupção da fórmula batismal teve inicio realmente no segundo século. De acordo com a Enciclopédia de Religião de Canney, a igreja primitiva batizou em nome de Jesus até o segundo século.

A Enciclopédia Britânica (11ª ed., Vol. 3, p. 365) concorda, afirmando que o batismo foi mudado do nome de Jesus para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo no século II.

No Volume 2 da Enciclopédia de Religião e Ética, p.389, é observado que o batismo sempre foi realizado em nome de Jesus até a época de Justino Mártir.

No Pastor de Hermas – datado de aproximadamente 120 dC, portanto, antes dos mais antigos Pais citados, está registrado: “Antes que o homem levasse o nome do Filho de Deus, ele estava morto, mas quando recebeu o selo [pelo batismo], ele deixou de lado a mortalidade e recebe a vida”. Também declara: “Eles são aqueles que ouviram a palavra e estavam dispostos a ser batizados em nome do Senhor”.

A apologética trinitariana invoca o testemunho desses escritores patrísticos em defesa dos seus argumentos, mas, sem dar explicações coerentes, ignoram o testemunho maior e mais excelente que é o do Novo Testamento, o escrito dos verdadeiros Pais da Igreja, que circulavam entre os cristãos um século e meio antes dos escritos chamados patristicos. Nestes documentos está registrado que o batismo era feito em nome de Jesus. Preste atenção nesses registros ao modelo da patrística:

“… Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo ii verso 38).

Mandou, pois [Pedro], que fossem batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo x, v 48).

“… foram batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo xix, v 5).

fomos batizados em Cristo Jesus” (São Paulo – Carta aos Romanos, capítulo vi, v 3).

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (São Paulo – carta à Igreja da Galácia, capitão iii, v 28).

Estão aí, de forma magnífica e explícita, os registros dos originais Pais da Igreja.

A Grande Comissão

Um dos maiores problemas para a formato textual batismal trinitariano apresentado em Mateus 28:19 são as passagens paralelas que tratam do mesmo evento (Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-51 e Atos 1:5,8).

Marcos 16:15,16: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”. Marcos omitiu o batismo trinitariano, além de omitir os nomes dos três componentes da chamada trindade.

Lucas 24:46-51 “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Outra omissão aqui do batismo e da trindade, embora fale do mesmo evento.

Atos 1:4,5-8,9 “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias… Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra… E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”.

Note que no contexto de Atos, momentos antes de subir ao céus, está registrado que eles seriam batizados no Espírito Santo, mas omite “em nome do Pai e do Filho”. Observe que em Lucas 24:46-52, ele omite totalmente o nome do Espírito Santo e do Pai, mas insinua o batismo em Jesus quando fala que eles receberiam o revestimento de poder prometido, que só é obtido quando o arrependido é batizado em nome de Jesus, não no nome do Espírito Santo. O Espírito Santo vem como dádiva sobre aqueles que se arrependem e são batizados em Cristo, como diz Pedro falando do cumprimento dessa promessa do Senhor Jesus: “Arrependei-vos, e seja cada um de vós BATIZADO EM NOME DE JESUS e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Observe que Pedro não usa o termo batizados no Espírito Santo, mas diz: “recebereis o dom do Espírito Santo”. Pedro não chamou de batismo, mas de dom. Quando usou a palavra batismo ele inseriu apenas um nome, o de Jesus, mais ninguém. Compare com Atos 19:1-6.

Jesus não poderia ter dito a Seus discípulos para batizar pessoas no Espírito Santo simplesmente porque este não era um batismo que os discípulos deveriam realizar. Além disso, se Jesus não pudesse ter dito a seus discípulos que batizassem homens no Espírito Santo, é altamente improvável que Ele teria dito a eles que batizassem os homens no Pai também.

Jesus é quem nos batiza com o Espírito Santo; este é o batismo de Jesus, João Batista nos disse: “Eu vos batizo com água, Ele [Cristo] vos batizará com o Espírito Santo” (Marcos 1: 8, cf. Mat 3:11 e Lc 3:16). “… este [Jesus] é o que batiza no Espírito Santo” (João 1:33). Como este é obviamente um batismo separado – um batismo no qual somos imersos [batizados] com [ou no] Espírito Santo – um batismo que Cristo deve realizar -, Jesus não poderia ter dito aos discípulos que batizassem as pessoas em nome do Espírito Santo. Portanto, o Espírito vem como dádiva para aqueles que recebem Jesus e são batrizados EM SEU NOME. Isso é o que significa que Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Não é uma mera profissão de fé quando manipulada por pessoas que jogam água na cabeça de um iniciante – ou mesmo a mergulhe em qualquer lugar que seja – que vai fazer com que o Espírito Santo seja recebido. Não é, “Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo”; a ordem prescrita foi: receber Cristo e como dádiva o cristão recebe o Espírito Santo.

Mateus e Lucas – onde está a corrupção textual?

Logo após a ressurreição de Jesus a Escritura diz que Ele se mostrou vivo depois de sua paixão por muitas provas infalíveis, sendo visto pelos discípulos e outros seguidores quarenta dias, e falando das coisas pertencentes ao reino de Deus (Atos 1:3). Durante esses encontros, obviamente Jesus fez questão de lembrá-los das coisas que havia ensinado enquanto ainda estava com eles e, no fim, antes de ser assunto ao céu, ordenou que pregassem em seu nome (singular), salvação, arrependimento e remissão dos pecados. Leia Lucas 24: 45-47 novamente, texto que está de acordo com o modelo batismal praticado na Igreja primitiva: ““E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Também é o que está de acordo com as palavras de Pedro proferidos 50 dias depois da ascensão do Senhor: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos pecados” (Atos 2: 37-38). Como pode ser visto, não há lugar no contexto para a redação trinitariana de Mateus 28:19.

Existe uma pista por demais interessante, a qual nos poderia levar a descobrir de uma vez por todas se as palavras originais de Jesus estão na forma trinitariana de Mateus 28:19 ou em Lucas 24:47. Está em Paulo; vemos Paulo batizando em nome de Jesus (Atos 19:1-5), e dizendo que o batismo é feito em nome de Jesus (Gal 3:27). Ficamos com uma pergunta: Quem instruiu Paulo e lhe concedeu essa revelação? Basta lembrar que o evangelho que Paulo recebeu não era de homem, mas de várias revelações diretamente de Jesus de acordo com ele em Gálatas 1:11 e 12 e II Corintios 12:1. Ele diz claramente que o Evangelho a ele confiado ele “não recebeu de homem algum, e nem lhe foi ensinado”, e ele conclui, “mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”. A esse apóstolo Deus revelou o “mistério da Igreja” (ver Ef 3: 5). Com toda essa autoridade, ele também nos exorta em 1 Coríntios 14:37 “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que eu escrevo são os mandamentos do Senhor“. Ele também nos diz: “E o que quer que você faça com palavras ou ações faça tudo em nome do SENHOR JESUS … ” (Col. 3:17). O contexto fala por si só.

A leitura correta de Mateus 28:19 parece estar em Lucas 24:47 – o arrependimento pelo perdão dos pecados seria proclamado em seu nome a todas as nações, começando em Jerusalém. Mas Lucas 24:47 não diz nada de batismo! Isso é verdade. Eles se referem apenas a “fazer discípulos de todas as nações” e “arrependimento e remissão de pecados”. No entanto, uma vez que estabelecemos que o texto original de Mateus 28:19 simplesmente diz “em meu nome”, eliminamos essencialmente todo o apoio para o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” Por causa dessa implicação de longo alcance, somos obrigados a examinar as evidências internas sobre o batismo, a fim de encontrar qualquer outro suporte possível para a leitura tradicional, isso porque o conceito doutrinal trinitário que foi adicionado a Mateus 28:19 está relacionado com o batismo. Embora o batismo não seja especificamente mencionado em Mateus 28:19 ou Lucas 24:47, é inferido pelos argumentos apresentados a seguir.

Em Mateus, o comando é “fazer discípulos em meu nome”. Para “fazer um discípulo”, a necessidade inclui o batismo no processo de conversão (Marcos 16: 15-16; João 3: 3-5) e todo o processo está sob a vigilância da especificação para fazê-lo “em seu nome”. Em Lucas, “arrependimento e remissão de pecados” seria pregado “em Seu nome”. Pelo testemunho de outras Escrituras (Lucas 3: 3; Atos 2:38), é claro que a remissão dos pecados vem pelo batismo, precedido pelo arrependimento. Ambos devem ser pregados “em Seu nome”.

Considerando a evidência dos manuscritos, das versões e agora dos primeiros escritos, você deve chegar à conclusão de que, nos primeiros séculos, algumas cópias de Mateus não continham a moderna redação trinitária. Independentemente das opiniões ou posições tomadas pelos nossos adversários, devemos, pelo menos, admitir esse fato. Na prática legal em que as cópias de um documento perdido, e original, variam, a “Evidência Interna” é usada para resolver a discrepância. Ou seja, uma comparação de outros textos com o texto em questão, a fim de determinar qual das versões variáveis é mais provável que seja o original. Com ambas as variantes em mente, nos voltaremos para as próprias Escrituras para a nossa evidência interna.

No caso que acabamos de examinar (Mateus 28:19), deve-se notar que nem um único manuscrito ou versão antiga nos preservou a verdadeira leitura. Mas isso não é surpreendente, pois, como o Dr. C.R. Gregory, um dos maiores críticos textuais, nos lembra: “Os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram freqüentemente alterados por escribas, que colocaram nelas as leituras que eram familiar para eles, e que eles consideraram ser as leituras certas” (Canon e Texto do NT 1907, pág. 424).

Outro acrescenta:

Estes fatos falam por si mesmos. Nossos textos gregos, não apenas dos Evangelhos, mas também das Epístolas, foram revisados e interpolados por copistas ortodoxos. Podemos rastrear suas perversões do texto em alguns casos, com a ajuda de citações patrísticas e versões antigas. Mas deve haver muitas passagens que foram corrigidas, mas onde hoje não podemos expor a fraude” (Peter Watkins, in an excellent article ‘Bridging the Gap’ in The Christadelphian, January, 1962, pp. 4-8).

E ainda:

O Codex B. (Vaticanus) seria o melhor de todos os manuscritos existentes … se fosse completamente preservado, menos danificado, (menos) corrigido, mais facilmente legível e não alterado por uma mão posterior em mais de dois mil lugares. Eusébio, portanto, não tem razão para acusar os adeptos de Atanásio e da doutrina da Trindade de falsificar a Bíblia mais de uma vez” (Fraternal Visitor 1924, p. 148, tradução de Christadelphian Monatshefte).

Ao bispo de Londres, este escreveu:

Nós certamente conhecemos uma maior quantidade de interpolações e corrupções trazidas para as Escrituras … pelos Atanásios e relacionadas à Doutrina da Trindade, do que em qualquer outro caso” (Whiston – Segunda Carta ao Bispo de Londres, 1719, p. 15)

F.C. Conybeare, um dos mais renomados mestres do Novo Testamento do século passado, disse: “Nos únicos códices que seriam mesmo susceptíveis de preservar uma leitura mais antiga, a saber, o Syriac sinaitico e o Manuscrito latino mais antigo, as páginas que continham o fim de Mateus desapareceram” (Hibbert Journal, 1902, Fred C.Conybeare).

Então, apesar de todas as versões anteriores conterem o nome Trino tradicional em Mateus 28:19, as primeiras versões não contiam o verso. E, curiosamente, não devido a omissão, mas devido à remoção!

Precisamos nos perguntar: a frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” aparece em outras partes da Escritura? Na verdade não aparece. Jesus usou a frase “em meu nome” em outras ocasiões? Sim, 17 vezes para ser exato – exemplos são encontrados em Mateus 18:20; Marcos 9: 37,39 e 41; Marcos 16:17; João 14:14 e 26; João 15:16 e 16:23.

Há alguma afirmação nas Escrituras baseada no fato do batismo em nome de Jesus? Sim! Isto é esclarecido em 1 Coríntios 1:13: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Essas palavras, quando cuidadosamente analisadas, sugerem que os crentes devem ser batizados em nome daquele que foi crucificado por eles.

De fato, o raciocínio oferecido por Paulo é claro quando ele dispara: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Por qual motivo Paulo mencionou o batismo em seu próprio nome? Por que o batismo deve ser feito em nome de Jesus! Observe todo versículo 13: “Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por você? Ou você foi batizado em nome de Paulo?” Ele conclui lembrando aos membros da igreja de Corinto que eles foram “lavados, santificados e justificados quando foram batizados em nome de Jesus” (1 Coríntios 6:11). Com base apenas no entendimento acima, podemos verificar o texto genuíno de Mateus 28:19 confirmando o uso da frase “em meu nome”.

Outra coisa que precisamos destacar é como Mateus 28:19, na forma trinitariana, contradiz o versículo anterior. Vamos ler o versículo 18 agora e veja o que diz: “Então Jesus veio a eles e disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada”.

Jesus diz: “Toda autoridade no céu e na terra foi dada a mim“. E ele continua no verso 19 dando ênfase ao seu nome: “Portanto, Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome”. O contexto (verso 18) diz que a autoridade foi dada a Cristo o que sugeriria, naturalmente, uma ação posterior em nome de quem tem e delega a autoridade, no caso, em nome de Cristo Jesus apenas.

Se Mateus 28:19 é exato, tal como está em versões modernas, então não há nenhuma explicação para a aparente desobediência dos apóstolos, uma vez que não há uma única ocorrência deles batizando alguém de acordo com essa fórmula.Todos os registros no Novo Testamento mostram que as pessoas foram batizados em nome do Senhor Jesus. Em outras palavras, o “nome de Jesus Cristo”, ou seja , tudo o que ele representa, é o elemento ou substância, em que as pessoas eram figurativamente “batizadas”. “Pedro respondeu aos ouvintes: “Arrependei-vos e sede batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (Atos 2:38).

O Batismo era somente praticado em nome de Jesus. Batizar “em nome de Jesus” quer dizer batizar “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Os discípulos ministravam o batismo não pela autoridade humana, mas pela autoridade e pelo poder do próprio Cristo. “Em nome de Jesus”, partindo do uso hebraico-aramaico, significa “com respeito a” ou “por causa de”. “Em nome de” era uma locução hebraico-aramaica naqueles dias dos apóstolos. A sociedade daquela época era familiarizada com tal expressão. No próprio livro de Atos, a locução “em nome de” tem o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Compare isso com o comportamento das autoridades judaicas quando desafiaram Pedro e João pelo fato deles estarem pregando no Templo: “E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (At 4.7).

Os apóstolos faziam tudo em nome de Jesus (Cl 3.17): pregavam (Lc 24.47), curavam (At 3.6,16), expulsavam demônios, falavam em línguas, eram livrados (Mc 16.17,18) e disciplinavam na igreja (2Ts 3.6). Assim, quando batizavam, faziam isso também “em nome de Jesus”. Efetuavam o batismo sob a “autoridade” e sob o “poder” de Cristo! No Livro de Atos os apóstolos são vistos batizando em nome de Jesus. Eles batizavam “em nome de Jesus”, ou seja, “com respeito a”, o mesmo que “relativamente”, “no tocante ao”, que foi o preceito entregue por Jesus à Igreja. Por isso que o original de Mateus não pode conter a fórmula trinitariana – o que temos é uma falsificação tardia. Alguém escreveu com muita propriedade: “Nõs não temos manuscritos conhecidos que estavam escritos nos séculos primeiro e segundo. Há uma lacuna de quase 300 anos entre o momento em que Mateus escreveu sua epístola e nossas primeiras cópias manuscritas. É sabido também que os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram muitas vezes alterados pelos escribas, que colocaram neles as leituras que lhes eram familiares, que eles entendiam ser a leitura correta… Não é de surpreender que algumas dessas corrupções textuais ocorreram simultaneamente com as respectivas mudanças doutrinárias que foram introduzidas na Igreja”.

Ratzinger deixa rastros visíveis dessa verdade em seus escritos. Evidente que os trinitrianos, principalmente oriundos do catolicismo, não concordam. Vejam novamente: “… Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28:19)“. “Introdução ao Cristianismo”, pág 34 – Versão online, PDF.

O credo foi criado em Roma, como ele mesmo atesta, e isso entre o segundo e terceiro séculos, baseado em Mateus 28:19 na forma trinitária da versão de Mateus adulterada que também apareceu entre o segundo e tercero século. A alegação dele não pode ficar oculta: “… A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, EM CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma“, pág. 31.

Surpreendendmente ele acaba revelando que o credo não tem origem nos Apóstolos: “… já do século IV, surge a lenda da origem apostólica desse formulário que muito cedo (provavelmente ainda no correr do século 5) se concretizou na suposição de que cada um dos doze artigos, em que fora dividido, representava a contribuição de um dos doze apóstolos”.

A tríplice confissão não saiu dos lábios de Jesus! Não está coerente com a verdade admitir que o credo nasceu três séculos depois tendo por base as supostas palavras do Senhor ditas quase três séculos antes. E além disso, suas palavras acabam revelando que o credo teve como base o texto adulterado de Mateus: “O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). DE ACORDO COM ESTA ORDEM, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?”

Ele alega que as palavras “batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” são de Cristo, mas não são. Jesus jamais disse tais palavras, o que foi garantido por Marcos e Lucas: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém“, Lucas 24:47.

Foi exatamente o que Pedro fez quase dois meses depois no dia de Pentecostes, cumprindo as instruções de Jesus. Ele apelou aos novos conversos para que se arrependessem e fossem batizados “em nome de Jesus Cristo”, para remissão de pecados” (Atos 2:38). Atos é uma réplica exata de Lucas!

A Trindade e o batismo de João

É de admirar que o Livro de Mateus tenha sido o escolhido para ser alterado; ele foi escrito para a comunidade judáica, ao contrário de Lucas e Marcos. Um livro endereçado à Igreja Primitiva seria o pior alvo para adulterações. Além disso, ao lermos o livro de Mateus notamos que não há nenhuma apresentação da doutrina da trindade. É duvidoso que os apóstolos tenham introduzido a doutrina trinitária antes do derramamento do Espírito. E ainda, seria realmente estranho para Cristo introduzir a doutrina da trindade aqui no último versículo do livro sem que seja mencionada anteriormente.

Ninguém era batizado em nome da trindade. Nem mesmo Jesus poderia ser batizado em seu próprio nome – o batismo é feito por causa da sua morte: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Rom 6:3.

Não se pode batizar em nome de Deus. Fosse assim, então João Batista deveria ter batizado as pessoas em nome do Pai, pelo menos. Mas nem isso. No batismo de João o iniciante era batizado “com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo“(Atos 19:4). Atente para alguns detalhes interessantes nesse incidente; aqui nesse diálogo com alguns discípulos de João em Éfeso, Paulo descobriu que eles nunca ouviram falar do Espírito Santo: “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens” (Atos 19:1-7).

Aqueles que receberam o batismo de João, nem sequer ouviram falar que existia o Espírito Santo. Se João Batista, ou qualquer discípulo após ele, batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ao modelo litúrgico católico romano, infestando seus discursos com o cântico batismal no melhor estilo romanista, logicamente estes discípulos teriam ouvido falar de tão sagrado ato sacramental e terem recebido o Espírito Santo, nem que fosse garantido apenas pelo misticismo na frase trinitariana. No entanto, ninguém na Igreja considerava esse tipo de “fórmula batismal” – palavras litúrgicas prescritas requeridas a serem ditas no batismo. Por outro lado a frase está com um terrível peso trinitáriano litúrgico. É um típico modelo católico romano.

João Batista e outros discípulos de Jesus fizeram constantes batismos. Porém, não há evidência alguma de que essa litúrgia baseada na frase (“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”) era conhecida na Igreja. Além disso, no que se relaciona ao batismo de João, a promessa do Salvador era de que o Consolador, o Espírito da Verdade, seria concedido à Igreja após o Pentecostes. Vemos então que João não poderia mencionar o Espírito Santo em seus ritos batismais, pois a promessa para o recebimento do mesmo estava no futuro.

João Batista dizia no batismo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”(João 3:2). Certamente João não usava a fórmula trinitariana no batismo; ele não podia fazer o batismo em nome de Jesus por que esse batismo é o que concede o Espírito Santo, que seria derramado de forma poderosa somente depois de sua ascenção ao céus – Jesus é quem batiza. Notem isso: Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Por esse motivo ele nunca batizou ninguém em água (João 3:22; 4:1,2).

Agora, pare e pense apenas no batismo de infantes supostamente praticado por João Batista; imagine vocês a possibilidade de se dizer para um bebê de um ano que ele estava sendo batizado “para que cresse naquele que após João Batista havia de vir?”

O Batismo na Igreja Primitiva

O batismo na Igreja Primitiva nunca foi feito em nome de uma trindade. Vejam os textos:

Atos 2:38 “Cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo“.

Atos 10:48 “E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias“.

Atos 19:5 “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Romanos 6:3 “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados EM JESUS CRISTO fomos batizados na sua morte?”

Gálatas 3:27 “Porque todos quantos fostes batizados EM CRISTO já vos revestistes de Cristo“.

Perceba caro amigo leitor, se o batismo é figura do sepultamento na morte de Cristo como poderíamos envolver o Pai e o Espírito Santo – que não podem morrer – neste batismo?

Romanos:6:4 “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida

Colossenses:2:12 “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos”.

Romanos:6:3 “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”

Não existe batismo em nome do Pai e do Espírito Santo, pois os batizados são batizados na morte de Jesus. Nem mesmo Jesus poderia ter sido batizado em seu próprio nome, pois o batismo é feito em (por causa de) sua morte. Ninguém podia ser batizado em Jesus antes de sua morte. Não havia batismo na trindade e muito menos havia trindade. O batismo trinitariano destrói todo o significado salvífico e redentor de Cristo.

Além desses registros, ainda temos a experiência de Paulo com relação ao seu próprio batismo. Foi dito a Ananias sobre Paulo: “Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Após o seu chamado, ele foi batizado (Atos 9:18).

Em um de seus discursos, ao defender-se dos ataques de seus opositores, ele relata um detalhe muito importante sobre o seu batismo: “Um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, indo ter comigo, de pé ao meu lado, disse-me: … O Deus de nossos pais de antemão te designou para conhecer a Sua vontade, ver o Justo, e ouvir a voz da sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando O SEU NOME” Atos 22:12-16.

Foi dito ao apóstolo Paulo que, ao ser batizado, fosse invocado o nome de Jesus. A razão disto é porque o batismo em nome de Jesus tem um significado único. O batismo por imersão aponta para a graça redentora. Representa a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus (Romanos 6:3-6).

Em Romanos 6:3 Paulo afirma que “fomos batizados em Cristo Jesus”. Ele nunca afirmou que fomos batizados na trindade. A importância que Paulo deu a esse detalhe pode-se deduzir pelo que ele escreveu aos gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo Jesus vos revestistes de Cristo” (Gálatas 3:27).

A Escritura ensina que o batismo em nome de Jesus é um ato de arrependimento que leva ao perdão dos pecados (Atos 2:38). O batismo em Seu nome está associado à promessa do Espírito Santo (Atos 2:38, 19: 1-5). O batismo em nome de Jesus é comparado à nossa vontade pessoal de ser sacrifício vivo ou mesmo morrer com Cristo (Romanos 6: 1-4 e Colossenses 2:12). Ser batizado em Cristo é nos revestir de Cristo (Gálatas 3:27). O batismo em seu nome é chamado de “circuncisão de Cristo”, e reflete a redenção do velho homem, tornando-nos assim uma “nova criatura em Jesus” (Colossenses 2: 11-12, 2 Coríntios 5: 17). O batismo em nome de Jesus expressa fé na vida de Jesus, o sacrifício pelos nossos pecados e a remissão dos pecados através do Seu nome. O batismo trinitário só pode expressar fé na própria teologia católica. Assim, Mateus 28:18, no mais antigo códice, o original, só pode estar dessa forma: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

A Bíblia de Jerusalém foi uma tradução composta por católicos e protestantes. Vejam o que ela diz: “É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula (Pai, Filho e Espírito Santo) reflita influência do uso litúrgico POSTERIORMENTE fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar `no nome de Jesus`… MAIS TARDE deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade” “Comentário no rodapé da Bíblia de Jerusalém”.

E mais uma vez: O batismo é símbolo da morte e ressurreição de Jesus. A Igreja primitiva somente batizava em nome de Jesus. Mateus 28:19, em sua forma trinitariana É UMA ADULTERAÇÃO, pois a Escritura diz que “todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte“, Rom 6:3. Paulo não está dizendo que “todos quantos fomos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo fomos batizados na sua morte“. Isso não existe! Não é biblíco!

O verso cinco do mesmo capítulo diz que o batismo em Cristo mostra que se “fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição“. Não existe batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mas somente em nome do Filho. Apenas do Filho. E observe que nem mesmo no Velho Testamento as pessoas eram batizadas em nome de Deus, mas sim naquele que era um tipo de Cristo, Moisés: “E na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés” (1 Cor 10:2).

A Igreja primitiva não batizava em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Essa foi uma fórmula inventada depois do segundo século quando começaram a circular cópias do Evangelho de Mateus com o acréscimo trinitariano. Mateus 28:19 com sua fórmula trinitariana é uma falsificação posterior absurda que não passa no teste bíblico.

Com isso tudo em mente, vamos ler outra vez a fala completa de Ratzinger como está no livro e veja que ele envolve de forma explicita Mateus 28 verso 19 no tempo em que nasceu o credo: “A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal”.

“DE ACORDO COM ESTA ORDEM”. Qual? A do batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Isso denuncia que o tempo do texto de Mateus 28:19, como reclamado pelos trinitarianos, começou a aparecer na mesma época do credo, isto é, no terceiro século. Se o original de Mateus fosse mesmo composto de Pai, Filho e Espirito Santo, então por quê a distância exorbitante entre a formula trinitariana de Mateus e a fórmula trinitariana do credo? Elas são idênticas!

Podemos perceber claramente através das declarações do Ex Papa que o texto, no modelo trinitário, foi mesmo uma interpolação. Os registros de Ratzinger deixam algumas pistas confirmando a inautenticidade da frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A confissão tríplice do credo está associada ao batismo de Mateus nas palavras de Ratzinger: “a forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o batismo… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo…”.

O texto de Mateus 28:19 defendido por muitos, e por mim, como sendo o original de Mateus está sem a forma trinitária. Ele não serviria de forma alguma para o credo. O acréscimo tem que ter sido feito muito tempo depois. A data da criação do credo denuncia isso, pois o mesmo nasceu no terceiro século em Roma – tendo por base um texto totalmente adulterado de Mateus 28:19.

O Evangelho de Mateus em grego

Até hoje, quase que no geral é crido e ensinado que Mateus escreveu seu livro em grego. Nada se discute a esse respeito e nada se faz para abordar esse tópico para explorar até onde essa crença pode ser verdadeira. Diz-se que seu escrito apareceu pela metade do primeiro século, mas sempre se evita explicar o porquê de havendo sido escrito para os judeus ele utilizou uma língua estranha ao invés da língua dos judeus, o hebraico.

Irineu (185 EC.) Contra os hereges, livro III. Capítulo 1. 1 diz que: “Mateus publicou um livro escrito para os Hebreus em seu próprio dialeto”.

Eusébio (325 EC.) Historia Eclesiástica livro III. Capítulo 24. 6 diz: “Efetivamente, Mateus, primeiramente havia pregado aos judeus, quando estava a ponto de sair para pregar aos judeus em diáspora entre os gentios, entregou por escrito o seu Livro, em sua língua materna, suprindo assim por meio da escrita o que faltava para aqueles que estavam longe”.

Jerônimo (347-420 EC.). Em Vida de homens ilustres, Capitulo III diz: “Mateus que também é conhecido como Levi, emissário, ex-publicano, escreveu seu Livro em letras e palavras hebreias… Quem depois o traduziu para o grego é incerto. Mas, Mateus em hebreu, temos hoje na biblioteca de Cesárea, a qual Panfilo, o mártir, organizou. Eu também tive a oportunidade de copiar dos Nazarenos, que utilizam um volume em Boreia, uma cidade da Síria”.

Bastam estas provas para confirmar positivamente que o Livro de Mateus foi escrito originalmente em hebreu e não em grego como popularmente é sugerido. Observa-se que entre todas as fontes transcritas aqui, Jerônimo é bastante amplo e específico, detalhando suficientemente a existência desse valioso Evangelho em língua original. Ele menciona duas coisas interessantes que merecem muita atenção:

A – Diz que ele viu esse manuscrito (ou pelo menos uma cópia dele) na biblioteca de Cesáreia, que havia sido compilada por Panfilo. Ou seja, não somente comenta a sua existência, mas que a viu, dando com isso inteira confiabilidade de que suas palavras são certíssimas. Isso claramente significa que entre os séculos III e IV EC., esse documento em sua língua original existia e era ele que circulava, se não universalmente, mas nas mãos de muitos.

B – Acrescenta que não somente viu uma cópia desse manuscrito, mas também contatou a seita dos Nazarenos e fez cópia do volume que possuíam. Isso significa que ele menciona duas cópias, e se levarmos em conta que a seita dos Nazarenos não era um grupo solitário, mas sim um grupo de congregações, percebemos que cada congregação possuía, pelo menos, uma cópia no hebreu e não no grego.

Fica então estabelecido que mesmo no século IV EC o evangelho de Mateus, escrito na língua hebreia, continuava existindo, e que possivelmente Eusébio, sendo um historiador sério, e dispondo de uma cópia (a herdada de Panfilo), pode constatar que a fórmula batismal estava ausente, e com certeza deve ter sido essa a razão de que em todas as vezes que cita Mateus 28: 19, nunca a menciona. Certamente Eusébio tinha diante de si um autêntico manuscrito de Mateus quando escreveu essas palavras em seu livro III de sua famosa História eclesiástica, no Capítulo 5 e na Seção 2: “Mas o resto dos apóstolos… foram expulsos da terra da Judéia, foram a todas as nações para pregar o Evangelho, confiando no poder de Cristo, que lhes disse: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

Portanto, parece que a fórmula batismal trinitariana vem do livro de Mateus na versão grega, a qual o próprio Jerônimo se encarrega de dizer que não se sabe quem a escreveu. Ele atestou: “quem depois o traduziu para o grego é incerto”. O autor da versão grega do livro de Mateus é desconhecido, isso sem dúvida significa que o discípulo de Jesus, ao qual se atribui haver escrito seu registro em grego, não é o seu autor. Mateus não era de origem pagã, suas raízes judias desconheciam totalmente a existência, nas escrituras hebreias do Velho Pacto, a existência da trindade. Para a igreja apostólica o misterioso deus trino não existia como veio a existir por volta do IV-V século EC. Aliás, por que essa misteriosa fórmula batismal aparece somente em Mateus 28: 18? Se Jesus a ordenou, por que não a mencionaram Marcos, João e Lucas?

Que melhor e mais claro testemunho para mostrar a origem da inserção longa de Mateus 28: 19, que está relatada pelo papa Benedicto XVI? Ele declara que a fórmula tríplice do credo apostólico está associada como sequência daquilo que posteriormente veio a ser tido como um alongamento da declaração de Mateus. O Cardeal está dizendo que esse alongamento em Mateus 28: 19 foi realizado por volta do século III EC., quando o “ Credo Apostólico” foi elaborado. E por incrível que possa parecer, ele declara que a trindade apareceu no século III. Veja com seus próprios olhos: “… se a fé exprime a trindade de Deus na fórmula “uma natureza – três pessoas” desde o século III, uma tal disposição dos conceitos é, em primeiro lugar, mera “disciplinação terminológica” (Introdução ao Cristianismo, pág. 80).

Nas palavras de Ratzinger o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vemos, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária”, pág. 160.

O Cardeal disse que o credo apostólico constitui a forma concreta da fé cristã simplesmente porque ali são mencionados o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É claro, que quando alguém diz credo apostólico (é melhor explicar para aqueles que não estão familiarizados com a história desse assunto), que por chamá-lo assim de nenhuma maneira significa que tenha sido redigido pelos apóstolos. O credo apostólico é anônimo, já que não se sabe a data em que apareceu, geralmente se diz que provavelmente próximo do final do II século EC.

O cardeal Ratzinger, em seu escrito aqui considerado, declara que esse credo tem relação com o batismo, e apareceu entre os séculos II e III EC. Os pagãos do século II em diante foram compelidos pelos bispos a aceitar a Deus Pai, a Seu Filho e ao Espírito Santo como requisito prévio para serem batizados. Não se admira que vários padres da igreja (entre eles os bem conhecidos Atanásio e Orígenes), naqueles tempos, enviaram cartas a respeito do batismo do pagão. Sendo que os pagãos estavam acostumados com as diferentes trindades pagãs, aceitaram ser batizados em nome de uma trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Disso nasceu o credo apostólico em Roma e a adição a Mateus 28:19.

Também o Cardeal disse que a simples fórmula tríplice, a qual usa o texto de Mateus foi alongada durante a sessão. Que quer dizer isso? Isto quer dizer que quem criou o credo apostólico teve como base Mateus 28:19, mas observe cuidadosamente que o Cardeal não diz que Mateus 28: 19 continha a fórmula tríplice, mas sim que quem criou o credo o alongou, veja as suas palavras: “a qual simplesmente usa o texto escrito em Mateus 28:19, foi alongada durante a sessão, com respeito a questão de crer em Cristo”. Assim a fórmula tríplice não é de Mateus original (hebreu). E mais, ao dizer ele que “foi alongada durante a sessão, isto é, com respeito a questão de crer em Cristo”, está dizendo que para os criadores do credo apostólico não era correta a declaração original de Mateus na qual Jesus manda ir fazer discípulos “em meu nome”, mas o alongaram adicionando “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A grande maioria dos bispos daquele tempo não sabiam que rumo tomar, se favoreciam o ponto de vista de Ario ou o de Atanásio, devido a isso Constantino se viu na necessidade de intervir ordenando aos bispos comparecer em concílio para tratar do assunto. Foi no ano de 325 EC. que foi redigido o credo Niceno, O qual diz: “Cremos em um só Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra, de tudo visível e invisível. Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo o Messias, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, da mesma natureza do Pai, por quem tudo foi feito, que por nós e por nossa salvação desceu do céu, por obra do espírito santo nasceu de Maria, a virgem e se fez homem. Por nossa causa foi crucificado nos tempos de Pôncio Pilatos. Padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, subiu ao céu e está sentado à direita do Pai. De novo virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. Cremos no espírito santo, Senhor e doador da vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória, e que falou pelos profetas. Cremos na igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Reconhecemos um só batismo para o perdão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e vida no mundo futuro. Amém”.

Foi o credo Apostólico que abriu as portas para a formulação da trindade. Ele foi utilizado para colocar nos lábios do Messias palavras que ele nunca pronunciou. Por isso é impossível estabelecer o credo com sua tríplice confissão desconectado de Mateus 28:19 na sua composição trinitária. Das palavras, Pai, Filho e Espírito Santo nasceu o credo acompanhado da liturgia batismal. O problema, insisto, é que o credo apareceu no terceiro século. Seria muito tempo para criar um dogma tão importante para a ala trinitariana com o texto de Mateus 28:19 trinitário supostamente disponível desde o anos 60 dC.

Uma palavra final

O antitrinitariano não crê no que foi estabelecido em 325 no Concílio de Nicéia, principalmente na descrição que fizeram do Senhor Jesus colocando-o como a segunda pessoa, o Deus Filho, preexistente e em igualdade com o Pai em essência, sempre eterno, o que é altamente perigoso, pois destrói sua missão como nosso substituto, mascarando seu sacrifício por nossos pecados, sem contar nas trapalhadas geradas contra o nascimento virginal. No entanto, o antitrinitariano, obviamente crê no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e em seu Filho, o Cristo, e no Consolador, que é o Espírito Santo

Se Jesus é preexistente então nunca foi humano enquanto viveu aqui, e isso é um desastre para seu sacrifício como nosso substituto. Por incrível que possa parecer, milhares de cristãos acreditam que Jesus tinha poder por que ele participou de uma existência anterior com o Pai; que havia entre os dois um contrato secreto preparado de antemão, o qual delegava a Jesus um poder celestial oculto, somente conhecido entre os dois, Pai e Filho, sendo que a partir dele, seu pai, Jesus herdou tendências espirituais espaciais latentes que o fortaleceram para conquistar a carne e manifestar qualidades divinas superiores aos humanos. Assim, para muitos, Jesus passou a ser outro Deus, alguém gerado de forma diferente dos humanos mesmo que tenha sido concebido por mulher.

E novamente: os antitrinitários creem no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Criador dos céus e da terra, creem em seu filho Jesus Cristo, nascido de uma virgem, que padeceu e morreu, ressuscitando três dias depois, mas que jamais existiu antes do seu nascimento em Belém da Judeia. Isso é uma aberração. Não é possível a ser humano algum, nascido de mulher (Gal 4:4), ter existido antes do seu nascimento. Entenda: “Jesus é fruto do ventre de uma mulher e não da eternidade”. O tempo e o local da origem do Filho de Deus são feitas de forma transparente. Lucas também diz que o Filho de Deus veio à existência no ventre de sua mãe (Lucas 1:32, 35). Não é de admirar, pois se retornamos até Gênesis lembramos que Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Ele foi aquele que veio a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

No evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus volta até Davi chegando a Abraão. O registro genealógico dado por Lucas leva as coisas ainda mais para trás, até Adão (Lc 3:38), mas de Deus ele não passou – ele não existia. Jesus é fruto do ventre!

“… E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus”. Isso é Genealogia! Jesus é citado bem antes. Ele não está invisível entre cada nome; é uma pessoa depois da outra até chegar a Deus. Seres preexistentes não podem possuir genealogia. Jesus era humano e hoje é um homem glorificado. Ele é as primícias dos que dormem, foi o primeiro a ressuscitar. Só se fala assim de seres humanos. E mais: Deus é o pai, não o filho. Para ser filho de Deus tem que ser alguém que não seja ele mesmo. Jesus muitas vezes chamou o pai de Meu Deus, mas Deus jamais chamou o filho de Meu Deus.

Os antitrinitarianos também creem no Espírito Santo, mas não como um terceiro Deus. Observem que o Espírito Santo, o terceiro Deus, ou terceira PESSOA da trindade, segundo os trinitarianos, foi excluído das palavras de Cristo quando ele afirma que só o Pai é o Deus verdadeiro em João 17:5: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

É doloroso ver alguns trinitarianos dizerem que Jesus se exclui como Deus desse contexto porque estava encarnado. E o Espírito Santo, o terceiro Deus – Por que Jesus não disse então que só existia dois Deus verdadeiros, O Pai e o Espírito Santo se o Espírito não estava encarnado?

Vejam o que diz o cardeal Ratzinger em sua obra “Introdução ao Cristianismo” sobre o homem Jesus divino: “… O conceito de homem divino ou seja de homem-Deus (theios aner) não se encontra em parte alguma no Novo Testamento… Nem a Bíblia conhece o homem divino, nem a Antiguidade, na esfera do homem divino, conhece a idéia de filiação divina”. Citando outro escritor, ele conclui: “… o conceito de “homem divino” dificilmente encontra cobertura na era pré-cristã, tendo surgido apenas mais tarde”, págs 98,99.

E não importa se Ratzinger parece dizer algo divergente em outras páginas, pois o que é revelado muitas vezes por escritores como ele é muito curioso: eles deixam escapar a verdade. Ele faz parte da grande liderança da Igreja Católica que conhece a verdade, deixando, às vezes, escapar textos nos revelando que eles sabem mais do que se possa imaginar – eles omitem as verdades do fiel católico. Está aí um bom exemplo do que digo: ele fala da divindade de Jesus em algumas páginas declarando ser ele a terceira pessoa da trindade, mas aqui ele chuta o pau da barraca!

A “Salvação vem dos judeus” (João 4:22), não vem dos gregos e muito menos dos romanos. A trindade veio de Roma, não de Jerusalém. Os Judeus jamais acreditaram em três deuses. Até hoje não acreditam em trindade alguma. Nenhum judeu, de Abraão até o último apóstolo teve o Messias prometido como Deus. Jamais acreditaram em um Messias preexistente.

Mas, vigiemos, pois é bem provável que os trinitarianos tentem falsificar o registro que temos de Êxodo para ficar a cara do trinitarianismo. Veja como ficaria o mandamento na língua trinitariana:

Êxodo 20: 3 “Não terás outros Deuses diante de nós

A Deus toda Glória


2 comentários sobre “Adulteração em Mateus 28:19

  1. O maior erro dessas pessoas que dizem que deve batizar “em” Jesus, é porque eles não conhecem o grego, logo não poder dizer o que quer dizer “em” no grego. “Em” no grego quer dizer “autoridade”, então é na autoridade de Jesus que os apóstolos batizavam, pois a fórmula em Mt 28.19. Mas se ensistem em dizer que o batismo em Jesus é a fórmula, então por que não se batizam em Moisés “todos foram batizados “em” Moisés… (1Co 10.2).ERC.

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